Brasil captou 6,614 bilhões de litros entre abril e junho; Nordeste foi a única região a registrar alta na comparação com o primeiro trimestre

A captação formal de leite no Brasil alcançou 6,614 bilhões de litros no segundo trimestre de 2026, o maior volume já registrado para o período na série histórica. O resultado representa crescimento de 1,0% em relação ao mesmo trimestre de 2025, segundo dados da Pesquisa Trimestral do Leite (PTL), do IBGE.

Apesar do novo recorde, os números mostram que o ritmo de expansão da oferta formal de leite vem perdendo força. No segundo trimestre de 2025, por exemplo, a captação havia crescido 10,2% na comparação anual.

O movimento de desaceleração também aparece no acumulado do ano. Entre janeiro e junho de 2026, a captação avançou 1,8% em relação ao mesmo período de 2025. No primeiro semestre do ano passado, o crescimento havia sido de 7,6% sobre 2024.

Sazonalidade influencia captação

A redução da captação entre o primeiro e o segundo trimestre é um comportamento recorrente da atividade leiteira brasileira e está relacionada à sazonalidade da produção.

Em 2026, o volume captado no segundo trimestre ficou 2,5% abaixo do registrado nos primeiros três meses do ano. A retração foi maior que a observada em 2025, quando a queda havia sido de 0,9%.

Ainda assim, de acordo com a análise dos dados, a redução permanece abaixo das retrações observadas na maior parte dos demais anos da série histórica.

No acompanhamento mensal, os três meses do trimestre apresentaram crescimento em relação a 2025. Abril teve alta de 1,9%, maio de 0,4% e junho de 0,7%, indicando uma expansão mais próxima da estabilidade nos dois últimos meses do período.

Nordeste apresenta crescimento

O desempenho regional chama atenção especialmente no Nordeste.

Na comparação entre o segundo e o primeiro trimestre de 2026, o Nordeste foi a única região brasileira a apresentar crescimento na captação, com alta de 1,1%.

No comparativo anual, entre o segundo trimestre de 2026 e o mesmo período de 2025, a região também apresentou resultado positivo, com crescimento de 2,7%.

O Sul permaneceu como a região de maior volume de captação, com 2,781 bilhões de litros, alta de 4,2% sobre o segundo trimestre do ano anterior.

O Sudeste registrou 2,345 bilhões de litros e permaneceu praticamente estável na comparação anual. Já Centro-Oeste e Norte apresentaram retrações de 7,2% e 7,0%, respectivamente.

Minas Gerais lidera entre os estados

Entre os estados, Minas Gerais manteve a liderança nacional, com 1,575 bilhão de litros captados no segundo trimestre de 2026, crescimento de 1,0% em relação ao mesmo período de 2025.

Na sequência aparecem Paraná, com 1,068 bilhão de litros e crescimento de 4,9%, e Rio Grande do Sul, com 867 milhões de litros e alta de 5,4%.

Rentabilidade volta ao radar do produtor

Além da sazonalidade, a rentabilidade da atividade continua sendo um dos fatores que influenciam a oferta de leite.

A forte expansão registrada em 2025 ocorreu após um período de maior rentabilidade no final de 2024, o que estimulou a produção nos primeiros meses do ano seguinte.

Já a redução das margens observada no final de 2025 contribuiu para diminuir o ritmo de crescimento da captação em 2026.

Mais recentemente, a recuperação do RMCA (Receita Menos Custo de Alimentação) sinaliza uma melhora nas condições econômicas da atividade. Caso essa recuperação se mantenha, ela poderá contribuir para sustentar a produção nos próximos meses.

Os efeitos, porém, não são imediatos. A resposta da oferta de leite às mudanças de rentabilidade ocorre com certa defasagem, o que significa que o comportamento dos próximos meses ainda dependerá da evolução das margens e das condições de produção.

O que os números mostram

O segundo trimestre de 2026 combina dois movimentos importantes para o mercado de leite: a captação atingiu um novo recorde para o período, mas o ritmo de crescimento perdeu intensidade.

Ao mesmo tempo, o desempenho do Nordeste merece atenção, já que a região apresentou crescimento tanto na comparação anual quanto na comparação com o primeiro trimestre.

Matéria produzida e publicada originalmente pelo portal MilkPoint, com dados da Pesquisa Trimestral do Leite (PTL/IBGE) e adaptações da equipe Pingos de Leite.

Gráficos produzidos pelo Portal Milkpoint e reproduzido pelo Portal Pingos de Leite