Ferramenta desenvolvida por Embrapa Caprinos e Ovinos e UFC identificou parasitas em 82% das amostras analisadas e deve avançar para lançamento comercial

Uma inteligência artificial desenvolvida no Ceará está sendo utilizada para auxiliar na identificação de verminoses em ovinos e caprinos. A ferramenta, chamada StopVerme, conseguiu detectar a presença de parasitas em 82% das amostras analisadas e apresentou 83% de precisão em avaliações posteriores.

De acordo com os pesquisadores envolvidos no projeto, a tecnologia pode contribuir para reduzir perdas econômicas provocadas pelas verminoses, especialmente pela mortalidade de animais infectados. A estimativa apresentada é de uma redução de pelo menos 30% nas perdas econômicas relacionadas às mortes no rebanho.

A solução é resultado de uma parceria entre a Embrapa Caprinos e Ovinos, sediada em Sobral (CE), e a Universidade Federal do Ceará (UFC).

Tecnologia para auxiliar no diagnóstico

O StopVerme começou a ser testado em outubro de 2025 e foi desenvolvido para auxiliar na identificação da anemia provocada por verminoses nos animais.

Segundo os pesquisadores, antes da ferramenta, os produtores poderiam recorrer a exames de sangue, considerados mais caros para pequenos criadores, ou à avaliação visual da coloração da mucosa dos animais por meio de um cartão.

A inteligência artificial busca facilitar esse processo, oferecendo uma alternativa mais prática para a triagem dos animais.

Entre as doenças monitoradas está a hemoncose, uma das principais verminoses que acometem ovinos e caprinos.

O pesquisador da Embrapa Caprinos e Ovinos Marcel Teixeira destaca que a ausência de falsos negativos nas avaliações realizadas reforça o potencial do aplicativo como ferramenta de triagem para auxiliar no controle seletivo da doença.

Impacto na produtividade

As verminoses representam um dos desafios sanitários da criação de pequenos ruminantes. Além da mortalidade, animais com elevada infestação ou que não recebem tratamento podem apresentar menor ganho de peso e redução na produção de lã e leite, conforme os especialistas ouvidos na reportagem.

Para o professor da UFC e doutor em produção animal Aderson Viana, o StopVerme pode auxiliar o produtor na identificação rápida de sinais relacionados à anemia e na decisão sobre a necessidade de vermifugação.

A proposta é que a tecnologia seja utilizada como ferramenta de apoio, associada à avaliação geral das condições do animal e à orientação técnica.

Próximos passos

Diante dos resultados obtidos nos testes iniciais, pesquisadores da Embrapa e da UFC trabalham para avançar na estruturação da ferramenta e possibilitar seu lançamento comercial.

A próxima etapa deve envolver melhorias na infraestrutura web, segurança de dados, criação de painéis e manutenção contínua do sistema.

Também está prevista a ampliação dos testes para diferentes regiões, propriedades, condições ambientais e sistemas de manejo. O objetivo é avaliar o desempenho da ferramenta em diferentes realidades produtivas e aprimorar sua precisão.

Inicialmente, o StopVerme deverá permanecer direcionado a ovinos e caprinos.

Nordeste como espaço de inovação no agro

O desenvolvimento da tecnologia ocorre em um momento de busca por novas soluções para fortalecer a cadeia de ovinos e caprinos no Nordeste.

Segundo dados mencionados na reportagem original, o Ceará possui o quarto maior rebanho de ovinos do Brasil, reforçando a importância de ferramentas que possam contribuir para a sanidade e a produtividade dos animais.

A iniciativa também evidencia o potencial da união entre pesquisa, tecnologia e produção rural para enfrentar desafios históricos da pecuária e oferecer novas alternativas aos produtores.

Matéria publicada originalmente no Diário do Nordeste , com adaptações da equipe Pingos de Leite.