Operações preveem até 224 mil toneladas do cereal, com recebimento também na Bahia e no Maranhão, e produto poderá chegar posteriormente aos pequenos criadores pelo Programa de Venda em Balcão
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) realiza nesta segunda-feira (21) uma nova operação de compra de milho para formação de estoques públicos. As duas operações previstas para setembro podem resultar na aquisição de até 224 mil toneladas do cereal.
O milho adquirido será armazenado em unidades localizadas em oito estados: Bahia, Maranhão, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Distrito Federal. A presença de unidades na Bahia e no Maranhão dá à operação uma conexão direta com o abastecimento da região Nordeste.
Do estoque público à alimentação animal
A operação ganha importância para a pecuária porque o milho é um dos principais componentes utilizados na alimentação de diferentes criações.
Na produção leiteira, o cereal integra dietas de animais suplementados e sistemas de maior intensidade produtiva. Também é matéria-prima fundamental para a fabricação de rações destinadas à avicultura e à suinocultura.
Por isso, movimentos de oferta e preço do milho podem repercutir em diferentes elos das cadeias de proteína animal.
A estratégia da Conab, neste caso, não significa automaticamente uma queda no preço da ração. O efeito sobre o mercado dependerá de fatores como volume efetivamente adquirido, preços do cereal, oferta regional, custos de transporte e comportamento da safra.
Venda em Balcão pode aproximar o milho dos pequenos criadores
Depois de formado o estoque, parte do cereal poderá ser destinada ao Programa de Venda em Balcão (ProVB).
O programa permite que pequenos criadores cadastrados adquiram milho diretamente da Conab. Entre os beneficiários estão criadores de aves, suínos, bovinos, caprinos e ovinos, entre outras atividades.
Esse mecanismo é particularmente relevante para pequenos produtores, para os quais o custo da alimentação representa uma parcela importante das despesas de produção.
Em setembro, a Conab já havia realizado outras operações para recompor os estoques destinados ao ProVB, com previsão de aquisição de até 20 mil toneladas de milho nos leilões realizados nos dias 1º e 2.
Além disso, uma portaria publicada no início de setembro ampliou para 260 mil toneladas o volume de milho que a Conab poderá adquirir em 2026 para atendimento do ProVB.
Por que isso importa para o leite?
Para o produtor de leite, o milho é especialmente importante porque compõe a alimentação de animais em sistemas que utilizam suplementação energética.
Quando o cereal fica mais caro, o impacto pode chegar ao custo da produção por meio da ração. Quando há maior disponibilidade e condições favoráveis de aquisição, existe potencial para aliviar essa pressão, embora o preço final dependa de uma série de outros componentes.
No Nordeste, essa relação ganha ainda mais importância diante das características da produção regional, que combina sistemas a pasto com diferentes níveis de suplementação.
Assim, acompanhar as movimentações da Conab ajuda a entender não apenas o mercado de grãos, mas também possíveis reflexos sobre leite, ovos, frango e carne suína.
O que observar daqui para frente
A Conab também projeta uma safra de grãos 2026/27 de até 366,6 milhões de toneladas, com crescimento da área destinada ao milho. A própria companhia ressalta que o potencial produtivo dependerá das condições climáticas ao longo do desenvolvimento das lavouras.
É justamente nesse ponto que a formação de estoques ganha importância. A estratégia busca criar uma reserva para enfrentar eventuais dificuldades de abastecimento associadas ao cenário climático e, posteriormente, disponibilizar o produto por meio de mecanismos públicos.
Para o Nordeste, a combinação entre estoque público, disponibilidade regional e custo de transporte será um dos pontos a acompanhar nos próximos meses.
Mais do que uma operação de compra de milho, a iniciativa da Conab coloca em evidência uma cadeia que começa no campo, passa pelo mercado de grãos e chega diretamente ao custo de produção de diferentes atividades pecuárias.
Fonte: Conab.