Brasil perdeu quase 4 milhões de cabeças em 2025, enquanto Pernambuco ampliou seu rebanho em 4,7%; na bubalinocultura, efetivo nacional também recuou, mas Alagoas e Sergipe registraram crescimento expressivo.
O rebanho bovino brasileiro diminuiu pelo segundo ano consecutivo em 2025, enquanto diversos estados nordestinos seguiram na direção contrária. Em Pernambuco, o efetivo cresceu 4,7%, alcançando aproximadamente 2,78 milhões de cabeças. Ceará, Sergipe, Rio Grande do Norte, Alagoas e Paraíba também registraram expansão.
Os dados são da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) 2025, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com o levantamento, o Brasil encerrou o ano com 234,25 milhões de bovinos, uma redução de 1,7% em relação a 2024. Em números absolutos, foram aproximadamente 3,96 milhões de cabeças a menos.
A retração nacional ocorreu em um ano de abates elevados. Segundo os dados apresentados pela CNA, o país registrou um volume recorde de 42,95 milhões de bovinos abatidos em 2025. Desse total, 46,9% eram fêmeas, incluindo vacas e novilhas.
O cenário nacional, entretanto, não se repetiu de maneira uniforme entre os estados. No Nordeste, o crescimento do efetivo em importantes unidades da Federação chama a atenção e reforça a importância de observar a dinâmica regional da pecuária.
Pernambuco amplia rebanho bovino em 4,7%
Pernambuco encerrou 2025 com 2.779.499 bovinos, ante 2.655.503 cabeças no ano anterior. O crescimento foi de 4,7%, correspondente a quase 124 mil animais a mais.
O resultado coloca o estado entre aqueles que ampliaram seus rebanhos no período, em contraste com a retração nacional.
Outros estados nordestinos também registraram variações positivas. O Ceará apresentou crescimento de 4,5%, chegando a aproximadamente 2,99 milhões de cabeças. Sergipe teve alta de 9,7%, alcançando 1,48 milhão de animais.
O Rio Grande do Norte registrou aumento de 8,6%, com cerca de 1,50 milhão de bovinos, enquanto Alagoas avançou 7%, chegando a 1,49 milhão. A Paraíba também ampliou seu efetivo, com crescimento de 5,9%, para aproximadamente 1,56 milhão de cabeças.
Na Bahia, estado que possui o maior rebanho bovino do Nordeste entre os apresentados no levantamento, a variação foi positiva em 1%, totalizando 13,79 milhões de animais.
Maranhão registrou crescimento de 0,1%, com 10,32 milhões de cabeças. O Piauí foi a exceção entre os estados nordestinos destacados, com redução de 0,6%, encerrando o ano com aproximadamente 1,36 milhão de bovinos.
Os dados mostram que a retração do rebanho brasileiro não foi acompanhada por uma queda generalizada no Nordeste. Para compreender as razões desse comportamento, porém, é necessário considerar as particularidades de cada estado e a dinâmica de suas atividades pecuárias.
Quais estados perderam mais bovinos?
Entre os maiores rebanhos brasileiros, Mato Grosso registrou uma das principais reduções em números absolutos. O estado passou de aproximadamente 32,85 milhões para 31,65 milhões de cabeças, uma queda de 3,7%, equivalente a cerca de 1,21 milhão de animais.
Rondônia também apresentou retração expressiva, de 6,2%, reduzindo seu efetivo em aproximadamente 1,13 milhão de bovinos.
Mato Grosso do Sul registrou queda de 4,3%, enquanto Goiás recuou 3,2%. Minas Gerais, por sua vez, apresentou pequena variação positiva de 0,2%, chegando a aproximadamente 22,10 milhões de cabeças.
No Nordeste, o comportamento foi diferente em boa parte dos estados. Além das altas registradas em Pernambuco e no Ceará, o crescimento de Sergipe e do Rio Grande do Norte merece atenção proporcional ao tamanho de seus rebanhos.
É importante destacar que a variação do efetivo não explica, isoladamente, o desempenho econômico da pecuária. A quantidade de animais deve ser analisada em conjunto com indicadores como abate, produtividade, produção de carne, preços e custos.
Rebanho de búfalos também recua no Brasil
A criação de búfalos apresentou movimento semelhante ao da bovinocultura no resultado nacional.
O efetivo brasileiro foi estimado em 1.796.788 animais em 2025, redução de 0,5% em comparação com 2024, quando o país contabilizava 1.805.388 cabeças.
A distribuição desse rebanho é bastante concentrada. O Pará permaneceu na liderança nacional, com 736.437 búfalos, apesar da queda de 5% no ano. O estado perdeu aproximadamente 38,6 mil animais.
Na direção oposta, Amazonas registrou crescimento de 13,8%, chegando a 173.818 cabeças. O Amapá também apresentou alta de 1,7%, alcançando 346.321 animais.
No Nordeste, os números mostram comportamentos distintos entre os estados, com crescimento expressivo em alguns efetivos, ainda que partindo de bases menores.
Alagoas e Sergipe registram altas na criação de búfalos
Alagoas apresentou uma das maiores variações percentuais do país na bubalinocultura. O estado passou de 1.669 búfalos em 2024 para 3.064 em 2025, crescimento de 83,6%.
Sergipe também se destacou: o efetivo avançou de 454 para 720 animais, alta de 58,6%.
A Paraíba registrou crescimento de 35,2%, passando de 761 para 1.029 cabeças. Na Bahia, o rebanho aumentou 3%, alcançando 23.434 animais, enquanto o Maranhão teve alta de 1,9%, para 96.950 búfalos.
Por outro lado, Pernambuco registrou redução de 2%, passando de 10.916 para 10.696 cabeças. O Ceará apresentou queda de 3,2%, enquanto Rio Grande do Norte e Piauí tiveram recuos de 0,1% e 0,9%, respectivamente.
As altas percentuais em Alagoas e Sergipe precisam ser interpretadas considerando o tamanho reduzido dos rebanhos. Embora relevantes para acompanhar a evolução da atividade nesses estados, elas não representam, por si só, uma mudança na distribuição nacional da bubalinocultura.
O que os números revelam sobre a pecuária nordestina?
Os resultados da PPM 2025 mostram que a pecuária nordestina apresentou comportamento diferente daquele observado no conjunto do país.
Enquanto o Brasil perdeu quase 4 milhões de bovinos, a maioria dos estados nordestinos ampliou seus efetivos. Pernambuco, Ceará, Sergipe, Rio Grande do Norte, Alagoas e Paraíba registraram crescimento, assim como Bahia e Maranhão, embora em ritmo mais moderado.
Na criação de búfalos, os resultados foram mais heterogêneos, com altas em Alagoas, Sergipe, Paraíba, Bahia e Maranhão, mas retrações em Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte e Piauí.
Esses movimentos reforçam a importância de analisar a pecuária a partir das diferenças regionais. As variações do rebanho ajudam a dimensionar a atividade, mas não devem ser interpretadas isoladamente como indicadores de aumento ou redução da produção de carne, da produtividade ou da rentabilidade.
Para Pernambuco, o crescimento do efetivo bovino é um dado relevante para acompanhar a evolução da atividade no estado. O próximo passo é observar como esse movimento se relaciona com os demais indicadores da cadeia pecuária.
A série Retrato da Produção Animal Brasileira, do Portal Pingos de Leite, seguirá aprofundando os dados da PPM 2025, com reportagens específicas sobre as principais cadeias e atenção aos resultados de Pernambuco e do Nordeste.
Fonte: IBGE — Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) 2025