Dados da PPM 2025, do IBGE, mostram movimentos distintos na produção animal brasileira: enquanto o efetivo de bovinos recuou 1,7%, a produção de leite bateu recorde, a piscicultura cresceu 7% e a carcinicultura avançou 18%

A produção pecuária brasileira apresentou movimentos distintos em 2025. Enquanto algumas atividades registraram redução no efetivo dos rebanhos, outras avançaram em volume de produção, demonstrando a diversidade de comportamentos entre as cadeias de origem animal no país.

Os dados são da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) 2025, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que reúne informações sobre os efetivos dos rebanhos, o número de vacas ordenhadas e a produção de leite, mel, peixes e outros produtos de origem animal.

Entre os destaques do levantamento estão a redução de 1,7% no rebanho bovino, o crescimento de 1,6% no efetivo de aves alojadas e o avanço de 0,5% no plantel de suínos. Na produção, o país registrou recorde no volume de leite, aumento na produção de mel e expansão das atividades de piscicultura e carcinicultura.

Os resultados ajudam a compreender as transformações recentes do setor e oferecem um panorama para avaliar o desempenho das diferentes cadeias produtivas.

Bovinos e búfalos registram retração

O efetivo de bovinos no Brasil recuou 1,7% em 2025, totalizando 234,2 milhões de cabeças. O resultado indica uma redução no tamanho do rebanho nacional em relação ao ano anterior.

A criação de búfalos também apresentou queda. O efetivo chegou a aproximadamente 1,8 milhão de animais, retração anual de 0,5%.

Apesar dos movimentos semelhantes, as duas atividades apresentam características produtivas e mercados distintos. Por isso, os resultados precisam ser analisados individualmente, considerando fatores como ciclo pecuário, dinâmica de produção e distribuição regional dos rebanhos.

Aves e suínos apresentam crescimento

Na avicultura, o número de aves alojadas alcançou 1,61 bilhão, crescimento de 1,6% em comparação com 2024.

O efetivo de suínos também avançou, embora em ritmo mais moderado. O país encerrou 2025 com 43,9 milhões de cabeças, alta de 0,5%.

Os números mostram que as duas cadeias apresentaram expansão do efetivo animal, mas a variação anual, isoladamente, não permite concluir como se comportaram o abate, a produtividade, os custos de produção ou a rentabilidade dos produtores.

Esses indicadores serão importantes para aprofundar a análise nas próximas reportagens da série.

Produção de leite bate recorde

Entre os principais destaques do levantamento está a produção leiteira. O Brasil produziu 36,6 bilhões de litros de leite em 2025, crescimento de 2,7% em relação ao ano anterior e recorde da série histórica.

O resultado chama a atenção porque a produção aumentou mesmo diante da redução do número de vacas ordenhadas. Esse movimento reforça a importância de acompanhar não apenas o tamanho do rebanho, mas também a produtividade por animal.

Para o Nordeste, a cadeia leiteira tem relevância econômica e social, especialmente em territórios onde a atividade integra a renda de milhares de produtores e movimenta cooperativas, laticínios, fornecedores de insumos e serviços.

A região respondeu por aproximadamente 18% da produção nacional em 2025, com destaque para Pernambuco, que liderou o volume produzido entre os estados nordestinos.

Piscicultura, mel e camarão avançam

As atividades aquícolas e a apicultura também apresentaram resultados positivos.

A piscicultura brasileira alcançou 783,9 mil toneladas, crescimento de 7% em relação a 2024. Já a produção nacional de mel chegou a 71,3 mil toneladas, alta anual de 5%.

O maior avanço percentual entre os destaques apresentados foi registrado pela carcinicultura, responsável pela criação de camarões. A produção atingiu 172,4 mil toneladas, crescimento de 18% na comparação anual.

Esses resultados demonstram a expansão de diferentes segmentos da produção animal e reforçam a importância de acompanhar as cadeias que, além de abastecerem o mercado interno, podem gerar oportunidades de agregação de valor e comercialização.

No Nordeste, essas atividades merecem atenção especial devido à presença de polos de produção de camarão, à importância da apicultura em diferentes territórios e ao potencial da piscicultura em sistemas de cultivo adaptados às condições locais.

Entretanto, para dimensionar o desempenho regional, é necessário observar os números específicos de cada estado e município, além dos fatores que explicam as variações registradas.

Rebanho de equinos também recua

Outro destaque da pesquisa foi a redução do efetivo de equinos. O rebanho brasileiro caiu 2% em 2025, totalizando 5,5 milhões de animais.

A criação de equinos possui diferentes finalidades econômicas, que incluem atividades rurais, esportivas, de lazer e reprodução. Por isso, a análise dessa cadeia exige considerar as particularidades de seus mercados e sistemas de criação.

O dado completa o panorama de retrações e expansões identificado nos diferentes segmentos da pesquisa.

O que os números revelam sobre a produção animal brasileira?

O levantamento de 2025 mostra que a produção animal brasileira não seguiu uma única tendência.

Enquanto bovinos, búfalos e equinos apresentaram redução nos respectivos efetivos, aves e suínos registraram crescimento. Nas atividades de produção, leite, mel, piscicultura e carcinicultura avançaram, com destaque para o recorde leiteiro e a expansão da criação de camarões.

É importante, porém, diferenciar crescimento do efetivo animal e crescimento da produção. São indicadores distintos: o primeiro informa o tamanho do rebanho ou plantel, enquanto o segundo mede o volume obtido em determinada atividade.

A leitura conjunta desses números ajuda a identificar tendências, mas compreender suas causas exige uma análise específica de cada cadeia, considerando produtividade, custos, mercado, tecnologia e condições regionais.

Para o Nordeste, essa investigação é particularmente relevante. A região reúne atividades tradicionais e segmentos em expansão, com realidades produtivas diferentes entre o litoral, o Agreste, o Semiárido e outras áreas de produção.

Nas próximas reportagens, o Pingos de Leite vai aprofundar os números das principais cadeias de origem animal, começando pela bovinocultura, seguida da avicultura e da suinocultura, com atenção aos destaques e às oportunidades para o Nordeste.