A projeção para a região é alcançar a marca de 1 milhão de litros de leite captados diariamente, impulsionando a geração de mais de 20 mil empregos diretos e indiretos quando as principais plantas industriais estiverem em pleno funcionamento.

A economia da bacia leiteira de Alagoas passa por uma transformação estrutural com a chegada e a expansão de grandes indústrias do setor. A projeção para a região é alcançar a marca de 1 milhão de litros de leite captados diariamente, impulsionando a geração de mais de 20 mil empregos diretos e indiretos quando as principais plantas industriais estiverem em pleno funcionamento. Esse volume total será viabilizado pela atuação conjunta de três marcas, onde a Alvoar Lácteos e a Natville terão capacidade para 400 mil litros diários cada, enquanto a Piracanjuba responderá por mais 200 mil litros por dia. A Piracanjuba, inclusive, iniciou sua expansão no Nordeste em maio, por meio da aquisição de um laticínio no município de Monteirópolis.


Atualmente na quinta posição entre os maiores grupos de lácteos do Brasil, a Alvoar Lácteos, detentora das marcas Betânia, Camponesa e Embaré, está investindo cerca de R$ 60 milhões na reforma e modernização da unidade de processamento em Batalha. A planta, originalmente inaugurada pela Cooperativa da Produção Leiteira de Alagoas (CPLA), será operada pelo grupo por um período de 20 anos, correspondendo a 80% da capacidade do laticínio. A fábrica já se encontra em funcionamento na fase de captação, recebendo 80 mil litros de leite por dia para concentração.

O interesse expressivo de grandes laticínios por Alagoas está diretamente ligado à consolidação da Sealba, uma fronteira agrícola que abrange Sergipe, Alagoas e Bahia. A adaptação de sementes nessa microrregião permitiu a produção local de milho, o que viabilizou o confinamento do rebanho leiteiro e a consequente modernização das fazendas. Esse cenário reflete o panorama do Nordeste, que lidera o crescimento percentual na captação formal de leite no país. Dados do IBGE apontam que o volume processado na região teve um aumento de 14,6% em 2025, índice significativamente superior à média nacional, que fechou em 8,5%. Diante dessa infraestrutura moderna, a expectativa de autoridades locais, como o governador Paulo Dantas, é que os produtores passem a investir mais em tecnologia, ampliem a produção e obtenham uma melhor remuneração pelo produto.

Paralelamente aos investimentos industriais, a CPLA firmou um contrato de R$ 12 milhões com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para o fornecimento de leite em pó ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). A solenidade de assinatura do acordo ocorreu na Unidade de Beneficiamento de Leite da cooperativa, em Batalha, com a presença do presidente da CPLA, Aldemar Monteiro, do superintendente da Conab, Elizeu Rego, e do governador Paulo Dantas, além de empresários e agricultores familiares. De acordo com a gerência da CPLA, o contrato viabilizado pela parceria com a Alvoar Lácteos será um pilar central para a reestruturação da cooperativa, beneficiando diretamente o pequeno produtor, o cooperativismo e a agricultura familiar da região.

As informações são da Gazeta de Alagoas, adaptadas pela equipe MilkPoint.