Pesquisa prevê a coleta de 2 mil amostras em 200 propriedades rurais e investigará 11 grupos de enfermidades; iniciativa conta com a participação da Universidad de Zaragoza, na Espanha

A Agência de Defesa e Fiscalização Agropecuária do Estado de Pernambuco (ADAGRO), em parceria com a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e com a participação da Universidad de Zaragoza, na Espanha, iniciou um estudo sorológico inédito em rebanhos de caprinos e ovinos do estado. A pesquisa pretende ampliar o conhecimento sobre a situação sanitária dessas criações e gerar informações científicas para o fortalecimento das ações de vigilância e educação sanitária.

O planejamento prevê a coleta de 2 mil amostras de sangue em 200 propriedades rurais, distribuídas por municípios atendidos pelas 11 Gerências Regionais da ADAGRO. A abrangência permitirá construir um panorama sanitário de diferentes áreas produtoras e identificar a frequência e a distribuição de animais reagentes aos agentes pesquisados.

Equipe da ADAGRO durante atividade de campo do estudo sorológico

Equipes da ADAGRO durante atividades de campo do estudo sorológico.

Até 13 de agosto, 60 animais haviam sido amostrados em seis propriedades rurais vinculadas às Gerências Regionais de Caruaru e Petrolina. As atividades de campo continuarão durante os meses de agosto e setembro, com o avanço das equipes para as demais regiões incluídas no planejamento.

A iniciativa integra as ações do Programa Estadual de Sanidade de Caprinos e Ovinos (PESCO), regulamentado pela Portaria ADAGRO nº 43/2026. O estudo busca aproximar a atuação da defesa agropecuária da pesquisa científica, contribuindo para o planejamento de estratégias sanitárias mais direcionadas à realidade dos rebanhos pernambucanos.

Pesquisa alcançará diferentes regiões produtoras

A amostragem será realizada por Fiscais Estaduais Agropecuários e Assistentes da ADAGRO durante as atividades de fiscalização e vigilância ativa desenvolvidas pela Agência. Além da coleta de sangue, será aplicado um questionário epidemiológico para reunir informações sobre os animais, as propriedades e as práticas de manejo adotadas pelos produtores.

A combinação dos resultados sorológicos com os dados epidemiológicos permitirá uma análise mais ampla dos fatores relacionados à ocorrência e à distribuição das enfermidades. As informações poderão auxiliar na identificação de áreas que demandem maior atenção e na definição de futuras ações de vigilância, prevenção e educação sanitária.

A participação dos produtores rurais é voluntária e não haverá cobrança pelas coletas ou pelos exames realizados no âmbito do estudo. Antes da amostragem, cada participante deverá conhecer e assinar o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. O procedimento foi submetido à Comissão de Ética no Uso de Animais da UFRPE.

Registros das atividades de campo

Confira imagens das atividades realizadas durante o estudo sorológico em rebanhos de caprinos e ovinos.

Registro das atividades de campo do estudo sorológico
Registro das atividades de campo do estudo sorológico
Registro das atividades de campo do estudo sorológico
Registro das atividades de campo do estudo sorológico
Registro das atividades de campo do estudo sorológico
Registro das atividades de campo do estudo sorológico

Registros das atividades realizadas durante a etapa de campo da pesquisa.

Onze grupos de enfermidades serão investigados

O estudo contempla agentes que podem comprometer a produtividade dos rebanhos, provocar perdas econômicas e, em alguns casos, apresentar relevância para a saúde pública. Serão investigados:

  • Febre Q (Coxiella burnetii);
  • Brucelose ovina (Brucella ovis);
  • Paratuberculose (Mycobacterium avium subsp. paratuberculosis);
  • Toxoplasmose (Toxoplasma gondii);
  • Leishmaniose visceral (Leishmania infantum);
  • Clamidiose (Chlamydia abortus);
  • Micoplasmose e agalaxia contagiosa (Mycoplasma agalactiae);
  • Neosporose (Neospora caninum);
  • Lentiviroses de pequenos ruminantes, incluindo Artrite Encefalite Caprina (CAE) e Maedi-Visna;
  • Leptospirose (Leptospira spp.);
  • Língua azul (Bluetongue virus).

A investigação simultânea desses agentes possibilitará uma leitura abrangente da situação sanitária dos rebanhos. O trabalho também está alinhado ao conceito de Saúde Única, que reconhece a relação entre saúde animal, saúde humana e condições ambientais.

Os resultados sorológicos serão interpretados em conjunto com os dados epidemiológicos e os critérios técnicos aplicáveis a cada enfermidade. Um animal reagente em um teste sorológico não representa, isoladamente, a confirmação de doença clínica ou de infecção ativa.

Por isso, cada resultado deverá ser avaliado de acordo com as características do agente pesquisado e com os procedimentos sanitários correspondentes.

Coleta de amostra durante estudo sorológico em pequenos ruminantes

Amostras são coletadas durante as atividades de vigilância sanitária realizadas pela Agência.

Interpretação dos resultados

A participação no estudo e a identificação de animais reagentes não implicam automaticamente a aplicação de sanções à propriedade. Quando necessário, os produtores receberão orientações das equipes oficiais sobre medidas de vigilância, prevenção, acompanhamento e educação sanitária, observadas as normas específicas relacionadas a cada enfermidade.

Cooperação científica internacional

Após a etapa de campo, as equipes da ADAGRO realizarão o processamento inicial das amostras para obtenção e conservação do soro. O material biológico será encaminhado pela UFRPE à Espanha, no âmbito da cooperação científica internacional que conta com a participação da Universidad de Zaragoza.

O cronograma prevê o envio das amostras em outubro de 2026. Os testes sorológicos e a elaboração dos relatórios epidemiológicos ocorrerão gradualmente entre 2026 e 2028. Ao final do trabalho, os resultados deverão ser publicados conjuntamente pelas instituições participantes e apresentados em evento científico internacional.

A cooperação permitirá reunir a experiência das equipes de defesa agropecuária, o conhecimento acadêmico da UFRPE e a participação da instituição espanhola. Essa integração amplia a capacidade de análise dos dados e favorece o intercâmbio de conhecimento sobre enfermidades que afetam os pequenos ruminantes.

Informação para fortalecer a defesa sanitária

A caprinovinocultura possui importância econômica e social para Pernambuco, especialmente para os municípios do Agreste e do Sertão. A produção contribui para a geração de renda, o abastecimento alimentar e a permanência de milhares de famílias no meio rural.

Ao produzir informações sanitárias sobre rebanhos de diferentes regiões, o estudo poderá subsidiar o aperfeiçoamento das ações de vigilância da ADAGRO, orientar atividades educativas e apoiar decisões voltadas à prevenção e ao controle de enfermidades.

Com a realização da pesquisa, ADAGRO, UFRPE e Universidad de Zaragoza fortalecem a integração entre defesa agropecuária e ciência. A iniciativa representa um avanço na produção de conhecimento sobre a sanidade dos rebanhos pernambucanos e reafirma o compromisso das instituições com o desenvolvimento sustentável da caprinovinocultura, a proteção da saúde animal e a promoção da Saúde Única.

Matéria e imagens reproduzidas do Site da Agência de Defesa e Fiscalização Agropecuária de Pernmabuco – Adagro/PE (www.adagro.pe.gov.br)