A Bahia caminha para encerrar a safra 2025/26 com a maior produção de algodão de sua história. Segundo maior produtor nacional, o estado deve superar a marca de 1 milhão de toneladas de pluma, enquanto aproximadamente 80% da colheita já foi concluída.

A expectativa foi apresentada pela presidente da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), Alessandra Zanotto, durante a 84ª Reunião Ordinária da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Algodão e Derivados, realizada na última terça-feira (15), em Brasília.

A área cultivada com algodão na Bahia chega a aproximadamente 417,9 mil hectares, com produtividade estimada em 2.360 quilos de pluma por hectare, acima da média nacional projetada para a temporada.

“As expectativas são boas e tudo indica que vamos consolidar a melhor safra da nossa história”, afirmou Alessandra Zanotto.

Produtividade baiana supera média nacional

O desempenho da Bahia ocorre em um cenário de produção elevada em todo o país. Para a safra 2025/26, a produção brasileira de algodão em pluma é estimada em 4,14 milhões de toneladas, cultivadas em aproximadamente 1,99 milhão de hectares.

A produtividade média nacional projetada é de 2.076 kg/ha. O volume chama atenção porque ocorre mesmo com uma área cultivada menor que a do ciclo anterior, quando o algodão ocupou cerca de 2,17 milhões de hectares.

Na Bahia, considerando áreas de sequeiro e irrigadas, a produtividade está próxima de 375 arrobas por hectare, equivalentes a aproximadamente 2.362 kg/ha de pluma. Até o fim da colheita, o rendimento poderá chegar próximo de 380 arrobas, ou cerca de 2.394 kg/ha.

Áreas irrigadas melhoram desempenho

Um dos pontos de atenção da safra baiana está nas áreas irrigadas, que tiveram participação importante na expansão da área cultivada.

Parte dessa irrigação é utilizada de forma complementar ou como estratégia de “salvamento”, principalmente para suprir a falta de chuvas em fases importantes do desenvolvimento das plantas.

No início da colheita, algumas dessas áreas apresentaram rendimento abaixo do observado nas lavouras de sequeiro. Com o avanço dos trabalhos, porém, as áreas irrigadas que entraram posteriormente em colheita passaram a apresentar resultados melhores.

Segundo a presidente da Abapa, a diferença de produtividade entre os sistemas vem diminuindo à medida que a colheita avança.

Recorde de produção coloca logística no centro das atenções

O crescimento da produção também traz um desafio para além das lavouras: como transportar, armazenar e exportar todo esse algodão.

Com uma safra volumosa na Bahia e no restante do país, a capacidade logística passa a ser um dos principais pontos de atenção da cadeia. A Abapa trabalha para ampliar a participação do Porto de Salvador no escoamento do algodão produzido no estado, reduzindo a dependência de trajetos mais longos até o Porto de Santos.

A estratégia busca aproximar a saída para o mercado internacional das regiões produtoras baianas e, ao mesmo tempo, diversificar as rotas utilizadas para exportação.

Segundo Alessandra Zanotto, a participação de Salvador no escoamento da produção baiana vem crescendo, mas ainda existe espaço para ampliar os volumes.

Mais produção exige estrutura

A possibilidade de superar 1 milhão de toneladas reforça a importância da Bahia na cotonicultura brasileira. Ao mesmo tempo, o cenário evidencia que o crescimento da produção precisa ser acompanhado por investimentos em armazenagem, transporte, infraestrutura e capacidade portuária.

Com o Brasil projetando novamente uma produção superior a 4 milhões de toneladas de pluma, a eficiência no campo passa a caminhar lado a lado com a capacidade de levar o produto aos mercados consumidores de forma competitiva.

Para a Bahia, a ampliação do uso do Porto de Salvador pode contribuir para reduzir distâncias, diversificar as rotas de exportação e diminuir a dependência dos corredores atualmente utilizados pelo algodão brasileiro.

Câmara Setorial do Algodão

A Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Algodão e Derivados é vinculada ao Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e reúne representantes dos diferentes segmentos da cadeia, além de instituições e órgãos públicos.

O colegiado funciona como espaço de diálogo entre governo e iniciativa privada para acompanhar temas estratégicos, discutir gargalos e propor ações relacionadas ao desenvolvimento da cadeia produtiva.

Matéria produzida pelo site Compre Rural com adaptações da equipe Pingos de Leite.