A 15ª edição do CBA reúne cadeia produtiva em Belo Horizonte; Bahia lidera produção nordestina e responde por cerca de 18% da safra brasileira

A cadeia brasileira do algodão está reunida em Belo Horizonte, onde acontece, de 22 a 24 de setembro, a 15ª edição do Congresso Brasileiro do Algodão (CBA). Realizado no Expominas pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), o evento reúne produtores, pesquisadores, especialistas, empresas e lideranças para discutir temas relacionados à inovação, manejo, tecnologia, mercado e estratégias para o futuro da cotonicultura.

Com o tema “Algodão brasileiro: fibra natural. Uma jornada com propósito, qualidade e transparência”, o congresso também coloca em evidência uma cadeia que vem ampliando sua relevância no cenário nacional e que possui participação expressiva do Nordeste.

Bahia lidera o algodão nordestino

Entre os estados da região, a Bahia ocupa posição de destaque. Estimativa divulgada pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), com base em dados do IBGE e da Conab, apontou produção de aproximadamente 1,79 milhão de toneladas de algodão em caroço e pluma em 2025.

Com esse resultado, a Bahia se manteve como maior produtora de algodão do Nordeste e segunda maior do Brasil, atrás apenas de Mato Grosso. Na estimativa divulgada em janeiro de 2026, a produção baiana representava 18,2% da safra nacional.

A força da cotonicultura baiana está concentrada principalmente no Oeste do Estado, região marcada pela agricultura empresarial, mecanização, irrigação e uso de tecnologias de produção.

O peso econômico da cultura também aparece nos dados da PAM 2025, do IBGE: o algodão herbáceo gerou R$ 7,85 bilhões em valor de produção na Bahia, ficando atrás apenas da soja entre os produtos agrícolas estaduais.

Piauí amplia participação

O avanço da cotonicultura também pode ser observado no Piauí, que vem ganhando espaço entre os produtores nacionais.

Para a safra 2025/26, a estimativa aponta 93 mil toneladas de algodão em pluma, contra 66 mil toneladas na temporada anterior, um crescimento de aproximadamente 40,7%. O Estado também alcançou a terceira maior área plantada do país, atrás de Mato Grosso e Bahia.

A expansão coloca o Piauí entre os territórios nordestinos que acompanham a transformação da produção de algodão, especialmente nas áreas agrícolas do Cerrado.

Maranhão também integra o mapa da cotonicultura

O Maranhão completa esse movimento de expansão do algodão no Nordeste, com produção concentrada principalmente na região de Balsas e no Cerrado maranhense. A Conab acompanha as lavouras do Estado ao lado de Bahia e Piauí nos levantamentos da safra 2025/26, mostrando a presença da cultura no eixo agrícola do Matopiba.

Brasil projeta nova marca na produção

No cenário nacional, o algodão também atravessa um momento de forte produção. No 12º levantamento da safra 2025/26, divulgado pela Conab em 15 de setembro, a estimativa chegou a 4,14 milhões de toneladas de algodão em pluma, o maior volume da série histórica.

A previsão representa crescimento de 1,5% em relação à safra 2024/25, mesmo com redução de 3,2% na área cultivada. O ganho está relacionado principalmente ao aumento da produtividade média, estimada em 2.053 kg de pluma por hectare.

Tecnologia e competitividade no centro do debate

É nesse cenário que o Congresso Brasileiro do Algodão reúne a cadeia produtiva para discutir os próximos desafios do setor.

A programação inclui plenárias técnicas, hubs especializados, workshops e minicursos, com temas relacionados a manejo, ciência, agricultura de precisão, bioinsumos, fisiologia do algodoeiro, gestão de nutrientes, mercado e inovação.

Para o Nordeste, o debate ganha uma dimensão particular. Bahia, Piauí e Maranhão mostram que a cotonicultura já ocupa um espaço relevante na agricultura regional, especialmente nas áreas de expansão agrícola do Cerrado.

A presença desses estados no mapa nacional reforça que o futuro do algodão brasileiro também passa pelo Nordeste, uma região que vem combinando escala, tecnologia, produtividade e novos investimentos para ampliar sua participação na cadeia da fibra.

Fontes: Conab, IBGE e SEI-BA.