A redução nas importações de lácteos registrada em junho trouxe um sinal positivo para o mercado brasileiro, mas ainda está longe de representar o fim da preocupação dos produtores de leite. É o que mostra o Boletim do Leite de julho, divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP).
Segundo o levantamento, as importações brasileiras de lácteos caíram 4,17% em relação ao mês anterior, totalizando 216,76 milhões de litros em equivalente-leite. Apesar da retração, o volume permanece elevado e continua exercendo influência sobre a oferta de produtos no mercado interno.
Nos últimos anos, o aumento das importações, especialmente de leite em pó proveniente de países do Mercosul, como Argentina e Uruguai, tornou-se uma das principais preocupações da cadeia leiteira nacional. Para os produtores brasileiros, a entrada desses produtos amplia a concorrência e pode limitar a recuperação dos preços pagos ao campo.
A queda observada em junho pode estar relacionada a uma combinação de fatores, como menor necessidade de compras pelas indústrias após aquisições realizadas nos meses anteriores, oscilações nos preços internacionais e um cenário de maior equilíbrio entre oferta e demanda no mercado doméstico. Ainda assim, o Cepea ressalta que o volume importado segue expressivo e continua sendo um componente relevante na dinâmica do setor.
Preço ao produtor permanece estável
O boletim também aponta que o preço pago ao produtor apresentou pouca variação. A chamada “Média Brasil” ficou em R$ 2,6617 por litro para o leite captado em maio, registrando leve recuo de 0,45% frente ao mês anterior.
A estabilidade é resultado de um mercado mais equilibrado, após meses de valorização do leite ao produtor. No entanto, especialistas avaliam que a continuidade desse cenário dependerá do comportamento da demanda interna, da evolução dos custos de produção e do ritmo das importações nos próximos meses.
Mercado interno apresenta comportamentos distintos
No atacado paulista, os derivados seguiram trajetórias diferentes. O leite UHT registrou queda de 3,07%, refletindo um consumo mais lento durante o período. Já a muçarela permaneceu praticamente estável, com ligeira alta de 0,08%, indicando maior sustentação da demanda.
Os custos de produção também permaneceram relativamente controlados. O Custo Operacional Efetivo (COE) avançou apenas 0,24% em junho, mantendo um ambiente de maior previsibilidade para a atividade leiteira.
Desafio continua
Embora a redução das importações seja vista como um movimento favorável pelo setor, representantes da cadeia produtiva defendem que o tema continue sendo acompanhado de perto. O entendimento é de que a competitividade do leite brasileiro depende não apenas do comportamento do mercado interno, mas também do equilíbrio nas relações comerciais com os países fornecedores.
Assim, o resultado de junho representa um alívio pontual, mas não elimina uma das principais preocupações dos produtores: o impacto do leite importado sobre a rentabilidade da produção nacional.
Fonte: Cepea/Esalq-USP – Boletim do Leite (julho de 2026).
Imagem da matéria: reprodução internet