Colheita de grãos (Foto: Wenderson Araujo/CNA/Trilux)
Piauí e Bahia lideram avanço regional, enquanto crescimento da produtividade impulsiona a safra em diferentes estados nordestinos
A produção de grãos do Nordeste segue em trajetória de expansão e reforça o peso da região no cenário agrícola brasileiro. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontam crescimento da produção regional na safra 2025/26, com destaque para estados que integram a fronteira agrícola do Matopiba — Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.
Segundo levantamento citado pelo Site Movimento Econômico, a produção nordestina pode alcançar 34 milhões de toneladas no ciclo 2025/26, avanço de 8,3% em relação à safra anterior. O crescimento supera a variação média projetada para o Brasil e coloca o Nordeste entre as regiões com maior expansão proporcional.
A área cultivada na região também avançou, chegando a 10,2 milhões de hectares, alta de 1,8%. O ganho mais expressivo, entretanto, veio da produtividade média, estimada em 3.330 quilos por hectare, crescimento de 6,4%.
No cenário nacional, a Conab projeta para a safra 2025/26 uma produção de 360,1 milhões de toneladas, segundo atualização divulgada em julho. O volume representa crescimento de 2,2% em relação ao ciclo anterior.
Piauí e Bahia sustentam o avanço do Matopiba
Entre os estados nordestinos, Bahia e Piauí aparecem como protagonistas desse movimento de expansão.
A Bahia mantém a liderança regional na produção de grãos, impulsionada principalmente pela soja, milho e algodão. O desempenho do estado está diretamente relacionado ao avanço da agricultura no Oeste baiano, uma das áreas mais dinâmicas do agronegócio nordestino.
Já o Piauí apresenta uma das maiores taxas de crescimento da região, com avanço importante de produtividade, especialmente nas áreas de produção de soja e milho.
O desempenho do Matopiba tem papel estratégico nesse processo. A região vem consolidando sua posição como uma das principais fronteiras agrícolas do país, com expansão de produção, investimentos em tecnologia e crescimento da infraestrutura voltada ao agronegócio. Levantamentos recentes também apontam forte crescimento da produção de grãos do Matopiba na última década.
Ceará apresenta forte recuperação
Outro destaque é o Ceará, que registra uma expressiva recuperação da produção de grãos.
De acordo com os números apresentados no levantamento da Conab citado pelo Movimento Econômico, o estado passa de 356,1 mil toneladas para 879,9 mil toneladas, crescimento de 147,1%.
O resultado está associado principalmente à recuperação da produtividade das lavouras, favorecida pela distribuição das chuvas em momentos importantes do ciclo agrícola.
O movimento mostra que o crescimento da produção nordestina não está concentrado exclusivamente no Matopiba. Diferentes áreas da região apresentam ganhos de produtividade quando as condições climáticas são favoráveis.
Nem todos os estados acompanham o mesmo ritmo
Apesar do cenário positivo para o Nordeste como um todo, os resultados são heterogêneos.
Sergipe e Alagoas, por exemplo, aparecem entre os estados que registram retração na produção. As perdas estão relacionadas, sobretudo, à redução da produtividade provocada por condições climáticas menos favoráveis em determinadas áreas.
No caso do milho de terceira safra, a Conab aponta que a irregularidade das chuvas a partir de junho prejudicou lavouras no nordeste da Bahia, em Sergipe e em parte de Alagoas.
O cenário reforça a importância da disponibilidade hídrica para a agricultura nordestina e evidencia como as diferenças climáticas entre os territórios podem produzir resultados bastante distintos dentro da própria região.
Soja, milho e algodão ganham espaço
A expansão da produção regional está diretamente relacionada ao avanço de culturas como soja, milho e algodão, especialmente nas áreas de cerrado do Matopiba.
No Nordeste, a soja e o milho vêm apresentando crescimento relevante. Estudo do Banco do Nordeste, publicado em 2026 com base em dados do IBGE, estima que a produção regional de soja e milho alcance, respectivamente, 17,3 milhões e 9,1 milhões de toneladas, com crescimento de 4,5% e 5,9% em relação ao ciclo de 2025.
O algodão também tem papel importante na dinâmica agrícola regional, especialmente na Bahia e no Piauí, onde a expansão de áreas irrigadas contribui para elevar o potencial produtivo.
Mais produtividade muda o perfil do agro nordestino
O avanço da safra revela uma transformação que vai além do aumento da área plantada.
O crescimento da produtividade por hectare mostra a incorporação de tecnologias, melhoria das condições de manejo, uso de genética mais adaptada e expansão de sistemas de produção mais eficientes.
É justamente essa combinação entre área, produtividade, tecnologia e condições climáticas que vem permitindo ao Nordeste ampliar sua participação na produção nacional de grãos.
Para uma região historicamente associada à agricultura de sequeiro e marcada por desafios climáticos, o avanço representa uma mudança importante na dinâmica econômica do campo.
Nordeste no radar do agro
Com a consolidação do Matopiba e o avanço da produtividade em outros estados, o Nordeste amplia sua importância na produção brasileira de alimentos, fibras e matérias-primas para a indústria.
O movimento também aumenta a demanda por armazenagem, transporte, energia, crédito, tecnologia e serviços especializados, criando novas oportunidades ao longo de toda a cadeia do agronegócio.
A safra 2025/26, portanto, não representa apenas mais toneladas colhidas. Ela reforça a transformação estrutural pela qual passa o agro nordestino.
Fonte principal: Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Com informações e adaptação a partir de matéria publicada pelo Site Movimento Econômico.
Dados complementares: Banco do Nordeste e IBGE.