Em julho, volume embarcado caiu 16,8% na comparação anual, enquanto os embarques para a China somaram 856 mil toneladas nos primeiros sete meses de 2026

O mercado brasileiro de carne bovina apresentou retração no volume exportado em julho, mas mantém um cenário de forte demanda externa, especialmente por parte da China. Dados reunidos no Informativo de Mercado da Pecuária de Corte da FAEMG/Senar, com informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), mostram que as exportações brasileiras de carne bovina recuaram 16,8% em volume em julho de 2026, na comparação com o mesmo mês do ano passado. Em valor, a queda foi de 5,8%.

Apesar do recuo registrado no mês, o acumulado do ano evidencia a relevância do mercado chinês para a pecuária brasileira. Entre janeiro e julho, o Brasil embarcou 856 mil toneladas de carne bovina para a China, volume que corresponde a 77,5% da cota de salvaguarda estabelecida pelo mercado chinês.

Na comparação com o mesmo período de 2025, os embarques brasileiros de carne bovina para a China apresentaram crescimento médio de 12,3% nos primeiros sete meses de 2026.

O ritmo das exportações também chama atenção para o uso da cota de salvaguarda. Mantido o desempenho observado ao longo do ano, a expectativa apresentada no levantamento é de que a cota seja integralmente utilizada até a primeira quinzena de setembro.

China segue como mercado estratégico

A participação chinesa reforça a importância do país asiático para o comércio internacional da carne bovina brasileira. A evolução dos embarques mostra que, mesmo diante de oscilações mensais nas exportações totais, a demanda chinesa continua exercendo papel relevante para o setor.

O cenário também evidencia a importância da diversificação dos mercados consumidores e do acompanhamento das condições comerciais internacionais para a pecuária brasileira.

Oferta e demanda influenciam o mercado

No mercado interno, o informativo aponta que todas as proteínas acompanhadas registraram desvalorização em julho em São Paulo, na comparação com junho. A carne bovina apresentou recuo médio de 3,9%, enquanto a carne suína caiu 0,5% e a carne de frango, 2,5%.

Embora os dados de preços apresentados no levantamento sejam referentes ao mercado paulista, eles ajudam a ilustrar um movimento de pressão sobre as proteínas no mercado doméstico.

A carne bovina, contudo, permanece com diferença significativa de preço em relação às demais proteínas. Segundo o levantamento, em julho, a carne bovina estava, em média, 205% acima do preço da carne suína e 231% acima do preço da carne de frango no mercado atacadista de São Paulo.

Menor oferta de animais pode sustentar preços

O informativo também destaca que a oferta de animais para abate é um dos fatores que vêm influenciando o comportamento do mercado. Em Minas Gerais, os dados de trânsito animal apontaram redução significativa no número de bovinos destinados ao abate em julho.

Apesar de o dado ser estadual, o movimento de oferta é um indicador importante para a formação dos preços da pecuária, uma vez que a disponibilidade de animais para abate interfere diretamente na relação entre oferta e demanda.

Para o mercado brasileiro, o cenário combina dois movimentos importantes: a necessidade de acompanhar o comportamento da oferta interna e a manutenção da demanda internacional, especialmente da China.

Com isso, o desempenho das exportações, o ritmo de utilização da cota chinesa e o comportamento dos preços das diferentes proteínas devem continuar no radar dos produtores e agentes da cadeia da carne bovina nos próximos meses.

Fonte: FAEMG/Senar, Informativo de Mercado – Pecuária de Corte, edição nº 13, julho de 2026; MDIC; IMA; Scot Consultoria; Broadcast/Cepea.