País chegou a 1,61 bilhão de aves em 2025, alta de 1,6%; Bahia e Paraíba ampliaram seus rebanhos, enquanto Pernambuco e Ceará registraram queda.

O rebanho de galináceos no Brasil alcançou 1,61 bilhão de aves em 2025, o maior volume da série histórica da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado representa crescimento de 1,6% em relação a 2024, quando o país contabilizava aproximadamente 1,58 bilhão de aves.

Os dados foram organizados pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e mostram que a evolução da avicultura brasileira ocorreu de forma desigual entre os estados. Enquanto algumas unidades da Federação ampliaram seus efetivos, outras registraram retração.

Segundo a análise da CNA, a demanda interna firme por carne de frango e ovos, somada ao bom ritmo das exportações brasileiras, contribuiu para o aumento do alojamento de aves no país.

Para o Nordeste, os números revelam movimentos distintos. A Bahia ampliou seu efetivo em 3%, enquanto a Paraíba registrou crescimento de 8,5%. Sergipe, Alagoas, Piauí, Maranhão e Rio Grande do Norte também apresentaram resultados positivos. Em sentido contrário, Pernambuco e Ceará tiveram redução no número de galináceos.

Paraná lidera o efetivo nacional

O Paraná permaneceu na primeira posição entre os estados brasileiros, com 463,5 milhões de galináceos em 2025, crescimento de 1,8% na comparação com o ano anterior. O estado concentra quase 29% do efetivo nacional, com predominância da criação de frangos de corte.

São Paulo aparece na segunda posição, com 196,4 milhões de aves, mas registrou queda de 3,6%. Nesse estado, o peso das galinhas poedeiras é maior, em razão da relevância da produção comercial de ovos.

Na sequência, o Rio Grande do Sul alcançou 166,2 milhões de aves, alta de 7,6%. Santa Catarina registrou 143,2 milhões, crescimento de 4,1%, enquanto Minas Gerais chegou a 133,2 milhões, com aumento de 2,3%.

Os números reforçam a concentração da avicultura em estados que possuem cadeias produtivas estruturadas, com integração entre produtores, agroindústrias, fornecedores de insumos e canais de comercialização.

Nordeste apresenta crescimento em parte dos estados

Na região Nordeste, o comportamento do efetivo de galináceos variou entre as unidades da Federação. A Bahia registrou crescimento de 3%, passando de 46,7 milhões para 48,1 milhões de aves.

A Paraíba apresentou uma das maiores altas regionais, com expansão de 8,5%, chegando a 15,76 milhões de galináceos. Sergipe também avançou, com crescimento de 5,8%, totalizando 6,66 milhões de aves.

Alagoas registrou aumento de 11,8%, alcançando 5,54 milhões de animais. O Piauí cresceu 4,2%, com 12,53 milhões, enquanto o Rio Grande do Norte avançou 6,9%, chegando a 13,59 milhões.

O Maranhão apresentou estabilidade, com alta de 0,2%, e encerrou 2025 com 13,72 milhões de aves.

Os resultados mostram que diferentes estados nordestinos ampliaram seus efetivos, embora partam de escalas produtivas distintas. O crescimento percentual, por si só, não indica necessariamente qual estado tem a maior produção de carne de frango ou de ovos, uma vez que a PPM contabiliza o efetivo total de galináceos.

Pernambuco e Ceará registram retração

Em Pernambuco, o efetivo de galináceos caiu 1,4% em 2025, passando de aproximadamente 68,66 milhões para 67,68 milhões de aves. Mesmo com a redução, o estado manteve um dos maiores efetivos da região Nordeste.

O Ceará também apresentou retração, de 4%, passando de 37,88 milhões para 36,38 milhões de aves.

Os resultados contrastam com o crescimento observado em outros estados nordestinos e reforçam a importância de analisar separadamente os diferentes segmentos da avicultura.

A queda no efetivo total não significa, necessariamente, redução proporcional na produção de carne ou ovos. Para compreender o desempenho de cada cadeia, é preciso observar indicadores específicos, como abate de frangos, produção de ovos, produtividade, capacidade instalada e dinâmica de mercado.

O que os dados revelam sobre a avicultura nordestina?

A PPM 2025 mostra que o Brasil alcançou um novo recorde no número de galináceos, mas os resultados estaduais apontam trajetórias diferentes.

Na região Nordeste, Bahia e Paraíba ampliaram seus efetivos, enquanto Alagoas, Sergipe, Piauí e Rio Grande do Norte também apresentaram crescimento. Pernambuco e Ceará, por outro lado, registraram queda.

Esse cenário reforça a importância da avicultura para o abastecimento e a economia regional, mas também mostra que os números precisam ser interpretados de acordo com as características de cada cadeia produtiva.

A produção de frangos de corte e a criação de galinhas poedeiras possuem dinâmicas próprias, com diferenças em instalações, ciclos produtivos, alimentação, genética, sanidade e mercados consumidores.

Por isso, o efetivo total de galináceos é um indicador importante para dimensionar a atividade, mas não substitui os dados específicos de produção de carne de frango e de ovos.

Para o Nordeste, o próximo passo é compreender como essas variações se refletem na produção e no mercado, identificando os estados que ampliam sua participação e os fatores que influenciam a competitividade de cada segmento.

A série Retrato da Produção Animal Brasileira, do Portal Pingos de Leite, continua acompanhando os resultados da PPM 2025, com foco nas diferenças regionais e nos movimentos das principais cadeias de origem animal.

Fonte: IBGE — Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) 2025. Dados e análise organizados pela CNA.