Brasil chegou a quase 44 milhões de suínos, com liderança dos estados do Sul; no Nordeste, Alagoas teve a maior expansão percentual, enquanto Maranhão e Pernambuco apresentaram retração.

O rebanho suíno brasileiro alcançou 43,99 milhões de cabeças em 2025, crescimento de 0,5% em relação ao ano anterior. Apesar da expansão nacional, o desempenho variou entre os estados, com avanços expressivos em algumas unidades da Federação e retrações em outras. Em Pernambuco, o cenário foi de redução. O estado encerrou 2025 com 864.972 suínos, queda de 6,8% em comparação com 2024, quando o rebanho era de 928.141 animais. A diminuição corresponde a aproximadamente 63,2 mil cabeças. Os dados são da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) 2025, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), organizados pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

O levantamento também aponta que o Brasil contabilizou cerca de 4,96 milhões de matrizes suínas. Segundo a análise da CNA, a alta nos preços dos animais terminados ao longo de 2025 contribuiu para um pequeno aumento no alojamento de matrizes, de 0,2%, e para a expansão de 0,5% no rebanho total. Mesmo com o crescimento anual, o plantel brasileiro permaneceu abaixo do registrado em 2022, quando o país alcançou o recorde de 44,39 milhões de suínos.

Região Sul concentra os maiores rebanhos
A suinocultura brasileira permanece concentrada na Região Sul, que reúne os três estados com os maiores rebanhos do país.
Santa Catarina liderou o ranking em 2025, com 9,35 milhões de suínos, crescimento de 0,3%. O Paraná ocupou a segunda posição, com 7,05 milhões de animais, embora tenha registrado queda de 1,1%. O Rio Grande do Sul apareceu em terceiro lugar, com 6,38 milhões de cabeças e crescimento de 3,2%. Em números absolutos, o estado apresentou o maior aumento entre as unidades da Federação: aproximadamente 197 mil animais a mais em relação a 2024.

Minas Gerais ficou na quarta posição, com 5,76 milhões de suínos, alta de 1,6%. Mato Grosso, por sua vez, registrou queda de 5,1%, encerrando o ano com 2,09 milhões de cabeças. Os resultados evidenciam a concentração da atividade nos principais polos nacionais e mostram que o crescimento do rebanho não ocorreu de maneira uniforme.

Nordeste apresenta resultados distintos

Na Região Nordeste, os números revelam movimentos diferentes entre os estados. Enquanto Alagoas, Sergipe e Paraíba registraram crescimento expressivo, Pernambuco e Maranhão apresentaram as maiores retrações percentuais entre os estados nordestinos destacados na tabela da CNA. Alagoas teve a maior expansão percentual da região, com aumento de 22% no rebanho suíno. O estado passou de 166.403 animais em 2024 para 202.932 em 2025, acréscimo de aproximadamente 36,5 mil cabeças. A Paraíba também apresentou resultado positivo, com crescimento de 8,2%, chegando a 343.312 suínos. Sergipe avançou 8,9%, totalizando 186.728 animais. O Ceará registrou alta de 5,8%, alcançando 1,41 milhão de cabeças. Bahia e Piauí também cresceram, com variações de 1,2% e 0,9%, respectivamente. O Rio Grande do Norte teve aumento de 1%, encerrando o ano com 540.038 suínos. Em sentido contrário, o Maranhão registrou queda de 6,6%, passando de 961.749 para 898.165 animais.
Os dados mostram que a evolução da suinocultura nordestina apresenta diferenças importantes entre os estados, tanto na dimensão dos rebanhos quanto nas variações anuais.


Pernambuco perde mais de 63 mil suínos em um ano
Em Pernambuco, a redução do rebanho foi um dos principais movimentos da pesquisa.
O estado passou de 928.141 suínos em 2024 para 864.972 em 2025, uma diminuição de 6,8%. Em números absolutos, foram 63.169 animais a menos. A retração contrasta com o crescimento registrado em outros estados nordestinos, como Ceará, Paraíba, Sergipe e Alagoas. O dado merece atenção para o acompanhamento da cadeia produtiva pernambucana, mas precisa ser interpretado com cautela. A redução do número de animais contabilizados não significa, necessariamente, uma queda proporcional no abate ou na oferta de carne suína. Para compreender o impacto econômico desse movimento, é necessário analisar também indicadores de abate, produtividade, preços, custos de alimentação e comercialização. Da mesma forma, o crescimento observado em outros estados não significa automaticamente maior rentabilidade para os produtores. O desempenho da atividade depende de um conjunto de fatores que vai além do tamanho do rebanho.

O que os números revelam sobre a suinocultura brasileira?
A PPM 2025 mostra que a suinocultura brasileira manteve uma trajetória de crescimento moderado, com alta de 0,5% no rebanho nacional. Entretanto, o resultado agregado esconde diferenças relevantes entre os estados. Enquanto a Região Sul continua concentrando os maiores plantéis, o Nordeste apresenta comportamentos distintos: Alagoas, Sergipe e Paraíba registraram crescimento expressivo, enquanto Pernambuco e Maranhão tiveram retração. Para Pernambuco, a queda de 6,8% é um indicador importante para acompanhar a evolução da atividade. O próximo passo é investigar como essa redução se relaciona com o abate, a produção de carne e as condições econômicas enfrentadas pelos produtores.

A série Retrato da Produção Animal Brasileira, do Portal Pingos de Leite, segue acompanhando os resultados da PPM 2025 para mostrar como as diferentes cadeias de origem animal se comportam no país e quais movimentos merecem atenção no Nordeste.

Fonte: IBGE — Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) 2025. Dados e análise organizados pela CNA.