Informativo da Faemg Senar mostra aumento da produção nacional no primeiro trimestre, redução nas importações em junho e queda no custo de produção do leite

A captação formal de leite no Brasil apresentou crescimento no primeiro trimestre de 2026, enquanto o setor registrou redução nas importações em junho e um novo recuo no custo de produção. Os dados constam na edição da segunda quinzena de julho do Informativo de Mercado do Leite, divulgado pelo Sistema Faemg Senar.

Segundo o levantamento, o país captou 6,7 bilhões de litros de leite entre janeiro e março deste ano, volume 2,6% superior ao registrado no mesmo período de 2025, indicando recuperação da produção nacional.

Importações recuam, mas permanecem elevadas

Na balança comercial, o Brasil importou, em junho, o equivalente a 211 milhões de litros de leite, resultado 4% inferior ao observado em maio, embora ainda represente um volume 35% superior ao registrado no mesmo mês do ano passado.

As exportações brasileiras de lácteos também recuaram no período. Em junho, foram embarcados 4,4 milhões de litros equivalentes, queda de 24% em relação ao volume exportado em maio.

Os dados preliminares indicam que o ritmo das importações continua elevado. Nos primeiros 18 dias úteis de julho, o país já havia importado 20,1 mil toneladas de derivados lácteos. Mantido esse desempenho, a estimativa é que o mês encerre com aproximadamente 215 milhões de litros equivalentes importados.

Custo de produção registra terceira queda consecutiva

Outro indicador positivo para o produtor foi a redução do custo de produção do leite. O ICPLeite/Embrapa apontou deflação de 0,8% em junho, marcando o terceiro mês consecutivo de queda.

De acordo com o levantamento, a redução foi impulsionada principalmente pela diminuição dos preços dos alimentos concentrados e volumosos, refletindo a queda nas cotações do farelo de soja, milho, algodão e da ração.

Apesar do resultado mensal, o custo de produção ainda acumula alta de 1,5% no primeiro semestre e de 0,6% nos últimos 12 meses.

Milho e soja seguem em movimento oposto

Entre os principais insumos utilizados na atividade leiteira, o mercado apresentou comportamentos distintos em julho. A cotação do milho registrou leve alta de 0,8% em relação à média de junho, enquanto a soja acumulou valorização de 7,3% no mesmo período.

Já o 10º levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a safra 2025/2026 projeta crescimento da produção nacional de grãos. A área cultivada com milho deve aumentar 3,6%, enquanto a produção deve avançar 0,4%, apesar da expectativa de redução de 3,1% na produtividade. Para a soja, a estimativa é de aumento de 2,7% na área, 5,3% na produção e 2,5% na produtividade.

A combinação entre recuperação da captação, redução dos custos e perspectiva de maior oferta de grãos mantém o mercado atento aos próximos meses, especialmente diante do elevado volume de importações de lácteos, que continua influenciando a competitividade da cadeia produtiva brasileira.

Fonte: Sistema Faemg Senar – Informativo de Mercado do Leite – 2ª quinzena de julho de 2026 (Edição nº 96)