Município pernambucano produz cerca de 162 mil toneladas por ano, movimenta mais de R$ 113 milhões na economia local e consolida o Sertão como referência na coconicultura brasileira
PETROLÂNDIA (PE) – A produção de coco verde no Sertão de Itaparica consolida Petrolândia como a principal referência da coconicultura brasileira. Líder nacional do setor, o município pernambucano produz aproximadamente 162 mil toneladas por ano, abastecendo mercados consumidores de Pernambuco, Bahia, Alagoas e Sergipe, além de impulsionar a geração de emprego, renda e investimentos na região.
O avanço da atividade é resultado da combinação entre irrigação, tecnologia, logística e organização da cadeia produtiva. Um dos principais marcos desse crescimento foi a implantação do Cinturão Verde, obra que ampliou a área irrigada e fortaleceu o escoamento da produção ao conectar, por meio de 49 quilômetros de vias, os perímetros irrigados e agrovilas do município à BR-316.
Produção movimenta mais de R$ 113 milhões
Dados do setor agrícola municipal e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que Petrolândia produz cerca de 162 mil toneladas de coco por ano, movimentando aproximadamente R$ 113,4 milhões na economia local.
Os números colocam o município entre os maiores polos agrícolas do Nordeste e reforçam a importância da cultura do coco para o desenvolvimento econômico regional, beneficiando produtores rurais, trabalhadores e empresas ligadas à cadeia produtiva.
A variedade predominante é o coqueiro-anão verde, destinado principalmente ao consumo da água de coco. A colheita ocorre durante a madrugada para preservar a qualidade do fruto e garantir que ele chegue aos centros de distribuição em menos de 24 horas.
Do Sertão para o litoral nordestino
A produção de Petrolândia abastece importantes destinos turísticos do Nordeste, evidenciando a integração entre o agronegócio do semiárido e o mercado consumidor do litoral.
Os principais destinos da produção são:
- litoral norte da Bahia, atendendo resorts e barracas de praia;
- Maragogi e Maceió, em Alagoas;
- Aracaju, em Sergipe;
- Recife, Olinda e Porto de Galinhas, em Pernambuco.
Segundo o produtor Magno Sandes, boa parte da água de coco consumida nas praias nordestinas tem origem no Sertão pernambucano.
“A água de coco que o turista bebe nas praias do Nordeste provavelmente saiu do nosso sertão.”
Agroindústria fortalece a cadeia produtiva
Além da comercialização do fruto in natura, Petrolândia conta com indústrias voltadas ao envase de água de coco. O maior empreendimento é a fábrica da Dikoko, empresa que também exporta seus produtos, ampliando a presença da produção sertaneja no mercado internacional.
Para a produtora Marluce Generoza, a instalação da indústria trouxe mais segurança aos produtores.
“A chegada dessa empresa ao município trouxe mais previsibilidade às vendas, com garantia de compra da produção dos fornecedores e estabilidade nos preços, aumentando a segurança de toda a cadeia produtiva.”
Semiárido mostra força no agronegócio
O desempenho da coconicultura em Petrolândia demonstra o potencial produtivo do semiárido quando aliado à irrigação, inovação tecnológica e infraestrutura logística.
Mais do que liderar a produção nacional de coco verde, o município consolida um modelo de desenvolvimento baseado no fortalecimento do agronegócio, agregando valor à produção, ampliando mercados e gerando oportunidades para o Sertão de Pernambuco.

Texto de Neurisvan Ramos Guerra, médico-veterinário, fiscal agropecuário e coordenador regional da Unidade Regional da Adagro no Sertão do Araripe (Ouricuri-PE) com adaptações da Equipe Pingos de Leite.