Realizado na Fazenda Almeida, encontro reuniu produtores do Agreste para apresentar soluções em sementes, manejo e produção de silagem

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A busca por maior produtividade, resistência às principais pragas e melhor aproveitamento da lavoura tem levado produtores de milho de Pernambuco a investir cada vez mais em tecnologia e genética. Esse movimento esteve no centro do Conexão Agro Agreste – Do Plantio do Milho ao Sucesso da Silagem, realizado no fim de julho, na Fazenda Almeida, em Capoeiras, no Agreste Meridional de Pernambuco.

Promovido pela Agreste Agropecuária, parceira do Portal Pingos de Leite, o encontro reuniu produtores e profissionais do setor para apresentar tecnologias aplicadas à produção de milho, com destaque para sementes de alta performance, nutrição, manejo, estratégias voltadas à produção leiteira, inoculantes e conservação de silagem.

A programação também colocou em evidência uma questão cada vez mais presente no campo: produzir mais na mesma área, com maior segurança e eficiência.

Pernambuco amplia área destinada ao milho

O movimento observado entre produtores durante o encontro acompanha a relevância que o milho mantém para a agricultura pernambucana e nordestina.

Levantamento do Banco do Nordeste, com dados da Conab, apontou que Pernambuco tinha previsão de cultivar 202,2 mil hectares de milho na safra 2024/25, ante 194,1 mil hectares na temporada anterior, crescimento de 4,2% na área. Na mesma projeção, a produção estadual estava estimada em 194,4 mil toneladas.

No Nordeste, a área projetada para o milho na safra 2024/25 chegava a 3,03 milhões de hectares, crescimento de 3% sobre o ciclo anterior, enquanto a produção estimada alcançava 10,1 milhões de toneladas, avanço de 8,5%.

Os números mostram a dimensão econômica da cultura e ajudam a explicar a busca crescente por materiais genéticos mais adaptados às condições de cada região.

Produtores relatam ganhos de produtividade

Durante o encontro em Capoeiras, experiências de produtores que já utilizam materiais apresentados pela Agreste Agropecuária mostraram, na prática, os resultados buscados no campo.

É o caso de Diogo do Milho Verde, que utiliza o híbrido BM 30-66 BTMax, destinado principalmente à produção de milho verde para pamonha. Segundo ele, o material apresentou boa adaptação à propriedade e resistência às principais pragas observadas na lavoura. “Todo o milho que eu planto é destinado à pamonha. O material teve uma resistência excelente para a lagarta-do-cartucho e a cigarrinha.” A experiência fez com que o produtor migrasse toda a sua produção para o híbrido. “Hoje eu migrei toda a minha produção para o 30-66 e tem sido um sucesso”, relata.

Outro relato apresentado durante o dia de campo foi o do produtor Isaac, de São Bento do Una, que utiliza o BM 815 BTMax. De acordo com o produtor, a mudança no material utilizado trouxe um salto expressivo na produtividade. “No ano passado deu 10 toneladas por hectare. Este ano, chegamos a 30 toneladas por hectare”, afirnou Isaac.

O desempenho reforça a importância da escolha do híbrido associada às condições de solo, clima e manejo adotadas na propriedade.

Do município de Pedra, também no Agreste pernambucano, veio o relato de Osorinho, produtor que utiliza o BM 30-69. “O material apresentou bom desempenho no campo, especialmente pela resistência à lagarta, além de proporcionar uma boa produção.” O produtor afirma estar satisfeito com os resultados obtidos na lavoura.

Do plantio à silagem

Além da escolha das sementes, o encontro chamou atenção para uma etapa estratégica para propriedades que trabalham com pecuária leiteira: o aproveitamento do milho para produção de silagem.

A relação entre milho e produção de leite é especialmente importante no Agreste, onde a cultura pode integrar sistemas de produção de grãos e pecuária. Nesse contexto, qualidade da planta, produtividade, valor nutricional e conservação adequada da silagem interferem diretamente no desempenho do rebanho.

Foi justamente essa visão integrada que orientou a proposta do encontro: apresentar ao produtor alternativas que começam na escolha do material e seguem pelo manejo, nutrição, controle de pragas e conservação da produção.

Tecnologia como ferramenta para o produtor

Os resultados relatados pelos participantes mostram que a adoção de tecnologia no campo não se resume à utilização de uma nova semente. A genética precisa estar associada ao manejo adequado e às características de cada propriedade.

Para Pernambuco, onde a produção de milho convive com diferentes condições de clima e disponibilidade hídrica, a adaptação dos materiais e a busca por maior eficiência tornam-se ainda mais relevantes.

O próprio acompanhamento do IBGE mostra a influência das condições climáticas sobre o desempenho do cereal. Em 2025, por exemplo, o instituto projetou recuperação da produção brasileira de milho após as perdas provocadas pelas condições climáticas em diversas regiões em 2024.

No Nordeste, a estimativa de março de 2025 indicava crescimento de 10,4% na produção regional de cereais, leguminosas e oleaginosas, enquanto a produção da primeira safra de milho apresentava expectativa de alta de 13,1% em relação a 2024.

Um campo cada vez mais tecnológico

O encontro realizado em Capoeiras evidencia uma transformação que acontece de forma gradual no campo pernambucano: o produtor está cada vez mais atento à genética, à resistência das plantas, à produtividade por hectare e ao aproveitamento econômico da produção.

Para quem produz milho verde, como Diogo, o foco está na qualidade e na regularidade do produto destinado ao mercado de pamonha. Para produtores como Isaac, o ganho está diretamente relacionado à produtividade por área. Já para Osorinho, resistência e produção caminham juntas.

São diferentes realidades, mas com um mesmo objetivo: produzir melhor, com mais eficiência e maior retorno para a propriedade.

Fontes:

Banco do Nordeste/Conab – dados de área, produtividade e produção de milho no Nordeste e em Pernambuco.

IBGE – Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) – acompanhamento da produção brasileira e regional de milho.

Agreste Agropecuária – informações sobre o evento e soluções apresentadas aos produtores.